CPTG Meu Pago Sul 


| Artigos | | De Bota e Bombacha | | Meu Chapéu! |

Meu Chapéu!

Chapéu de Feltro, Vincha de couro e barbicacho

Bueno Gauchada amante da tradição, me chamo André e estarei trazendo para o site informações sobre a vestimenta do gaúcho, irei fazer um breve relato histórico e em seguida o uso de cada parte da indumentária. E vamos de começar de cima para baixo!

O índio local não fazia uso de qualquer tipo cobertura, eram os cabelos que os protegiam da chuva ou do sol, o único adorno utilizado, a “Vincha”, era uma fita feita de couro, que funcionava como uma espécie de amarrador.

O Chapéu, item incluído na cultura gaúcha com a chegada dos colonizadores europeus, chegou em dois tipos de material, palha (abeiro, produzido com a palha do arroz, do trigo, ou do milho) e o de feltro.

O mais popular na época, de palha, eram utilizados pelos homens da lida e pela gurizada, esse modelo ainda é muito utilizado no interior do sul do país, principalmente por agricultores.

O de feltro, por ser feito de material mais nobre, e com maior riqueza de detalhes, tinha seu preço elevado, e eram utilizados por donos de fazenda e homens de maior importância social. O modelo sofreu muitas alterações desde a sua chegada, com tempo a copa foi se achatando e a aba ficando mais comprida, até chegar no famoso chapéu campeiro gauchesco, utilizado atualmente.

Quanto a aba do chapéu, não há uma regra, isso é muito regional, o gaúcho fronteiriço utilizava a aba mais reta e o serrano, por exemplo, com as abas levantadas na frente e atrás.

Porém, o chapéu mais gaúcho, mais original, foi o famoso “chapéu pança de burro”, onde se pegava o couro da barriga de mula ou burro, e ainda fresco, era moldado na cabeça de um palanque, e com o uso os pelos iam caindo e ficavam em couro cru.

Com a necessidade de prender o chapéu à cabeça, foi adicionado o “Barbicacho”, originalmente uma espécie de fita de couro, e que também passou por modificações, ganhando transados diferenciados, também feito de seda e por fim chegando a ser feito de metal, o Barbicacho passa por baixo do queixo, ou do lábio inferior.

Agora vamos ao principal, o uso!

Confecção de Chapéu Pança de burro

Vou a muitos bailes, rodeios, charlas, tertúlias e digo com muita propriedade, o povo gaúcho está perdendo todo o respeito, que é uma das coisas mais lindas da nossa tradição. E o chapéu está totalmente ligado ao respeito, principalmente em relação ao que é mais importante ao gaúcho, a prenda!

É raro ver um peão tirar o chapéu para cumprimentar uma prenda, o que por respeito, deveria ser feito até para o cumprimento a outro peão, quando muito levantam a aba do chapéu!

Já vi “gaúcho” estufando o peito e berrando aos quatro cantos o hino Rio Grandense... “Povo que não tem virtude acaba por ser escravo!” de chapéu... Amigo, virtude segundo o dicionário é... Qualidade do que se conforma com o considerado correto e desejável (por exemplo, do ponto de vista da moral, da religião, do comportamento social etc.) portanto, tenha virtude seja educado, cordial, respeitoso, isso faz parte da gente, faz parte de ser gaúcho.

Agora me diga, se o correto é tirar o chapéu para cumprimentar, o que leva um peão a achar que deve dançar com uma prenda de chapéu? Caso não tenha percebido você está dançando com a mais linda e amável criatura de Deus, a prenda gaúcha! Ela merece todo o seu respeito. Se você acha isso desnecessário, o Brasil está cheio de outras culturas, te bandeia pro lado de lá!

Prendas, se vier um balaca desses te tirar para bailar, ou mande tirar o chapéu, ou recuse! Sem medo, se dê ao respeito, você merece! São pequenos detalhes, mas são eles que nos diferenciam das outras culturas, e são eles que fazem essa cultura ser a mais linda de todo o Brasil, e uma das mais lindas do mundo, vamos cultivar, vamos cuidar, vamos cobrar... Para não deixar ela morrer!

Autor: André Zancanaro Wergutz